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BCs precisam encerrar políticas de estímulos, diz o BIS

O Bank for International Settlements (BIS), o banco central dos bancos centrais, alerta bancos centrais de todo o mundo para encerrar políticas de estímulo adotadas durante e logo após a crise de 2008.
O BIS afirma que manter os juros baixos artificialmente poderá gerar sérios desequilíbrios econômicos, além de potenciais riscos de instabilidade financeira. A orientação surgiu de um relatório feito pela instituição, que aponta para a superação da crise em muitos países, evidenciada pela queda em níveis de desemprego e inflação, bem como a retomada do crescimento econômico a níveis pré-crise.

Esse cenário, segundo o BIS, representa uma janela de oportunidade para que os bancos centrais promovam um crescimento sustentável a longo prazo. O BIS reconhece que o objetivo não é simples, mas propõe algumas medidas como uma postura menos interventora sobre a inflação, já que ainda existem estímulos não artificiais de efeito
desinflacionário.

 

A instituição reconhece, entretanto, que uma postura mais rígida possa ser assumida por bancos centrais nos países emergentes, além de notar que possíveis turbulências no mercado são esperadas – e até mesmo saudáveis, desde que não sejam assumidos riscos desproporcionais.
Os motivos apontados no relatório para a boa situação da inflação são variados, e incluem maior ingresso de pessoas na população economicamente ativa (PEA) devido a mudanças em regras de previdência a influências positivas da globalização do avanço tecnológico.

As previsões do BIS para o curto prazo são positivas, mas o cenário é um pouco diferente a longo prazo. Segundo o relatório, as medidas extraordinárias adotadas pelos banco centrais para recuperar o consumo aumentaram, em muito, as dívidas públicas e privadas. No entanto, a instituição reconhece que essas medidas foram necessárias.
Além do aumento de dívidas, essa atuação dos BCs fez surgir outras instabilidades, que podem ser manifestas através de um crescimento de medidas protecionistas, que podem encolher o papel do comércio internacional.
Apesar de recentes tensões em mercados emergentes dada a valorização do dólar, o BIS enxerga que tais economias serão capazes de enfrentar possíveis turbulências econômicas futuras.

Para seguir as recomendações do BIS, os BCs devem apostar em medidas macroprudenciais e outras de caráter estruturalista, baseadas em forte supervisão e regulação.
Se os BCs obtiverem sucesso, será possível manter o crescimento econômico, ainda que não sejam eliminados possíveis desequilíbrios financeiros e que as dívidas continuam a aumentar em relação ao PIB.

No dia 17 de junho, o BIS publicou um relatório extremamente crítico em relação às criptomoedas, afirmando que, olhando além da animação atual com elas, não são muitas as vantagens.

Juliana Liano é estudante da Faculdade de Direito da USP. Faz parte do Centro de Estudos dos Mercados Financeiro e de Capitais (CEM-USP) e é trainee no escritório jurídico global Norton Rose Fulbright.

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