Nos últimos dias, uma série de mensagens difundidas em redes sociais têm promovido, com poucos detalhes, um projeto chamado “Initiative Q“, que promete ser um método de pagamento revolucionário. As mensagens dizem que o “Q” teria sido desenvolvido por ex-executivos do PayPal e que seria um meio de pagamento universal. Mas, o que é verdade e o que é mentira na mensagem; existe mesmo esta tal “Initiativa Q”?

Embora todo o hype que surgiu com as mensagens, elas são estratégias de marketing (e uma publicidade muito efetiva que gerou um buzz imenso) e usam o Bitcoin e as criptomoedas como forma de ajudar a promover a mensagem e convidar novos investidores. Mas, o projeto “Q” não é uma criptomoeda e não tem blockchain, nem tampouco qualquer outra forma de livro distribuído, e é, nas palavras do fundador da empresa, Saar Wilf, “um projeto centralizado e não uma criptomoeda”. O executivo acredita que o “sistema auto-gerenciável das criptomoedas é insuficiente para esse propósito [meio de pagamento global]”. Vale destacar que o “Q” nem sequer já foi desenvolvido e, segundo o próprio fundador, pode nem chegar a ser.

“Q” não é uma criptomoeda

Desta forma, como todo projeto centralizado, o “Q” permite que a empresa reverta transações, controle fundos, entre outras funções centralizadas que não podem ser executadas em projetos de blockchain, inclusive, o valor da moeda pode ser (e esta é a proposta) controlado pela equipe de desenvolvedores. Lawrence White, que ajudou a projetar o “Q”, é conhecido por defender sistemas em que o dinheiro não flutua de forma selvagem em termos de valor. Ele claramente construiu a proposta da Initiativa Q em torno da teoria monetarista, que diz que a oferta monetária deve ser controlada para manter os preços estáveis.

“Não é como se estivéssemos oferecendo dinheiro de graça para conseguir algo em troca das pessoas. Não há um plano secreto ou esquema enganoso, é só um modo bem razoável de tentar resolver o problema nos meios de pagamento: você cria uma nova moeda e a distribui para quem ajudar a acelerar a adoção”, disse Wilf, garantindo que o projeto não é uma fraude.

Wilf também esclareceu que a estratégia de marketing por meio de mensagem tem como objetivo auxiliar a adoção do projeto e, para isso, eles precisa angariar pessoas que “utilizem” o “Q”, por isso o marketing massivo convidando as pessoas a se inscreverem no site da iniciativa.

“Até hoje, qualquer um que tenha tentado criar uma rede de pagamentos nova — eu incluso, em 1997 — falhou. Tudo porque não foi possível trazer o primeiro comprador, porque não havia vendedores, e nem o primeiro vendedor, porque não havia clientes”, disse, destacando os motivos da estratégia agressiva que, segundo ele, também foi usada por empresas como Uber, Dropbox e, aqui no Brasil, PicPay, que garantiam benefícios extras a quem fizesse cadastro primeiro.

Apesar do marketing, “Q” ainda não foi desenvolvida e nem tem prazo para ser

Wilf disse para a revista Exame que o processo de adoção ainda está no começo. “Baseado no que vimos por agora, é provável que levemos um ou dois anos até começarmos a ver o ‘Q’ sendo usada em algumas regiões. E eu diria que pode levar mais ou menos 10 anos até que a moeda comece a circular globalmente como uma das principais redes de pagamento no mundo”, explicou o executivo, “esfriando” o tom das mensagens distribuídas nas redes sociais que prometem uma “revolução” nos meios de pagamento.

No entanto, os usuários que têm difundido as mensagens podem ficar um pouco mais frustados, afinal Wilf destaca que a fase de “recrutamento de usuários” vai até 2019 e isso só está sendo feito para ter uma base de cadastro que será usada para angariar fundos para então desenvolver a rede de pagamentos, ou seja, não há ainda nenhum produto de verdade pronto e tampouco prazo para que os “Qs” cheguem às carteiras dos usuários e possam ser comercializados e utilizados com forma de pagamento.

A ideia ainda envolve ter um comitê monetário independente, uma espécie de Banco Central, monitorando a atividade na rede de pagamentos e as reservas financeiras. Tudo para garantir “a estabilidade e o poder de compra da moeda nos próximos meses e anos”. Muito bonito no papel, “mas pode falhar e sair nada disso tudo”, explicou Wilf. Mas ao menos ninguém sai perdendo: como o próprio fundador do projeto disse, embora a expectativa seja de fazer um “Q” valer um dólar, a moeda ainda nem existe.

Fraude?

Em entrevista à Forbes, Mike Rymanov, CEO da Digital Securities Exchange (DSX), ressaltou que a empresa ainda precisa de um produto de verdade e atender os controles regulatórios.

“Antes de se tornar uma opção viável para investidores, a Initiative Q vai precisar se assegurar de atender a todos os requisitos governamentais em todas as jurisdições em que operar — o que pode levar anos”, explicou.

O projeto se assemelha muito a pirâmides e fraudes, afinal, além das mensagens massivas, quando você realizada o cadastro no site (que não requer muitas informações pessoais e nem dados bancários), pede que você seja um verdadeiro agente multiplicador e angarie mais pessoas para ser recompensado por isso, prometendo ganhos de até R$500 (pagos em Qs que ainda não existem).

Para o advogado especialista em fraudes Jair Jaloreto, o projeto pode não ser um esquema. “Em um primeiro momento, não vejo risco porque eles não pedem dados além de email e nome. Não pedem CPF, não pedem dados bancários ou cartão de crédito”, destacou o jurista, afirmando que o maior risco por ora é de que a empresa comercialize o cadastro dos usuários que conquistou, no entanto, ele destaca que é preciso ter muita cautela e acompanhar o desenvolvimento do projeto.


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